Beber muita água e fazer gargarejo com água morna, vinagre, ou sal, elimina o coronavírus

A disseminação de notícias falsas não para de crescer. A cada dia as notícias se amontoam diante da sociedade de forma a sufocá-la sem dar a chance de ao menos duvidar sobre a integridade dessas notícias. Em algumas ocasiões, as pessoas são tão envolvidas pela informação que lhes é dada, que no ápice do desespero ou empolgação, elas se apropriam da mesma sem ao menos questionar a veracidade.
Uma informação totalmente equivocada foi divulgada pelas redes icluindo Facebook, em que afirmava-se uma cura para o novo coronavírus. De acordo com a informação divulgada,essa suposta cura se dava a partir de um gargarejo que a pessoa faria.. Na notícia divulgada, afirmava-se que o vírus antes de atingir os pulmões ficaria alojado na garganta, e ao realizar o gargarejo com água morna, vinagre e sal, essa mistura atingiria o vírus e o eliminaria.
Certamente antes de haver uma checagem dos fatos e a desmistificação dessas informações, muitas pessoas que tiveram acesso a essa notícia falsa se conveceram de que realizando esse procedimento, ficariam livres do novo coronavírus. O Ministério da Saúde afirmou que,  “até o momento, não há nenhum medicamento, chá, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus”.(acesso em https://checamos.afp.com/beber-muita-agua-e-fazer-gargarejo-com-agua-morna-vinagre-ou-sal-nao-elimina-o-coronavirus).
A sociedade contemporânea apesar de estar vivendo uma grande evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação, encontra-se alienada. Acredita-se que as pessoas fazem uso da internet, mas a verdade é que são usadas por ela. Quando acredita-se que está desenvolvendo o senso crítico ao compartilhar suas ideias em sua rede social, por exemplo, o indivíduo não imagina que as pessoas que vão ver esses compartilhamentos são limitadas. Outro exemplo é acreditar que está aprimorando seus conhecimentos ou desenvolvendo autonomia ao realizarem uma pesquisa, surpreendendo-se com os resultados que também são estreitados pelos algoritmos. Da mesma forma, não se pode afirmar que ao divulgar notícias das quais se acredita serem verídicas sem realizar uma checagem, está contribuindo para a ampliação do conhecimento alheio, quando na verdade está se propagando inverdades.
Para que seja rompida essa alienação midiática e essa propagação de fake news, é preciso que as pessoas deixem de ser depósitos de informação. Esse momento relaciona-se muito com o conceito desenvolvido por Paulo Freire de “Educação Bancária”, onde o professor era o único detentor do conhecimento, a metodologia de ensino era mecanicista, os alunos não tinham direito de questionar ou formar ideias, tinham o dever de apenas reproduzirem os “conhecimentos” que lhes eram depositados pelo professor. Esse processo se repete. As pessoas não conseguem filtrar os meios de informação digital e estão sendo controladas por tais informações. Já não importa saber a verdade, o que importa é passar adiante causando espanto ou levando falsas esperanças, aumentando o ódio em algumas situações, invadindo a privacidade alheia e envergonhando muitas outras pessoas.