Células de bebês abortados são utilizadas para produção de vacina chinesa

Não bastando a pandemia que nos encontramos, junto a ela veio também uma enxurrada de fake news que potencializaram riscos à saúde física e mental de muitos e externaram discursos polarizados alicerçados em crenças religiosas e políticas. Geralmente as notícias que desinformam (fake news) podem despertar em nós sentimentos de surpresa/entusiasmo e repulsa/medo. A notícia compartilhada 430 vezes no Facebook sob o título “Células de bebês abortados são utilizadas para produção de vacina chinesa” foi analisada pela agência Lupa e foi constatado que a notícia é inverídica, uma vez que não há sinais que células de bebês abortados foram exploradas para o desenvolvimento da vacina chamada Coronavac, da indústria farmacêutica chinesa Sinovac. A agência Lupa explica ainda, baseado em um artigo divulgado na revista Science, que seis imunizações em desenvolvimento contra o COVID 19 utilizaram células advindas de fetos abortados para elaborar componentes da vacina, todavia a Coronavac não está entre estas. Exposto isto, podemos fazer uma análise sucinta de como as pessoas se relacionam com as informações, i.e., constata-se que, via de regra, não há um olhar criterioso/ crítico que questione a confiabilidade das fontes e o sensacionalismo das chamadas; não existe procura por outras fontes de informação; e, neste caso específico, muito provavelmente essa notícia falsa foi um apelo para perpetuar/sugestionar uma crença e uma ideologia política como coerentes. Conclui-se, portanto, que a falta de interpretação de texto, de um olhar crítico, criterioso e heterogêneo por parte do leitor contribui para perpetuação de desinformações e preconceitos, os quais inviabilizam debates construtivos e polarizam toda uma sociedade.

#Verificamos: É falso que CoronaVac seja produzida a partir de ‘células de bebês abortados’


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